As Non-Human Identities estão rapidamente se tornando um dos maiores desafios da cibersegurança moderna. Durante anos, as estratégias de proteção estiveram focadas principalmente em usuários humanos, contas corporativas e credenciais de acesso utilizadas por colaboradores. Entretanto, a transformação digital, a adoção massiva de ambientes em nuvem e o crescimento da inteligência artificial mudaram completamente esse cenário.
Atualmente, aplicações, containers, APIs, agentes de IA, serviços automatizados e workloads em nuvem dependem de identidades próprias para se autenticar e interagir com outros sistemas. Como resultado, muitas organizações possuem centenas ou até milhares de identidades não humanas operando simultaneamente dentro de seus ambientes.
Embora essas identidades sejam essenciais para a operação dos negócios, elas frequentemente recebem menos atenção do que as contas tradicionais. Consequentemente, acabam se tornando alvos extremamente atrativos para atacantes.
Dessa forma, compreender os riscos associados às Non-Human Identities tornou-se fundamental para organizações que desejam fortalecer sua postura de segurança e reduzir sua superfície de ataque.
O Que São Non-Human Identities
Non-Human Identities, também conhecidas como NHIs, são identidades digitais utilizadas por sistemas, aplicações e processos automatizados para autenticar e assim executar ações em ambientes tecnológicos.
Diferentemente dos usuários humanos, essas identidades não representam pessoas. Em vez disso, representam componentes tecnológicos responsáveis assim por realizar operações automatizadas.
Entre os exemplos mais comuns estão:
- Contas de serviço;
- API Keys;
- Access Tokens;
- Secrets;
- Certificados digitais;
- Workloads Kubernetes;
- Contêineres;
- Agentes de IA;
- Aplicações integradas;
- Ferramentas de automação.
Em muitos casos, essas identidades possuem acesso a recursos críticos da organização, incluindo bancos de dados, sistemas corporativos e ambientes em nuvem.
Por essa razão, seu comprometimento pode gerar impactos significativos para o negócio.
Por Que as Non-Human Identities Estão Crescendo
O crescimento das Non-Human Identities está diretamente relacionado à evolução dos ambientes digitais.
Primeiramente, empresas passaram a adotar arquiteturas baseadas em microsserviços, containers e APIs. Além disso, plataformas em nuvem exigem autenticação constante entre diferentes componentes.
Ao mesmo tempo, a popularização da inteligência artificial impulsionou o surgimento de agentes autônomos capazes de interagir com múltiplos sistemas corporativos.
Por consequência, o número de identidades não humanas cresce em velocidade muito superior ao número de usuários tradicionais. Ademais, em algumas organizações, a proporção pode ultrapassar cem identidades não humanas para cada usuário humano.
Contudo, controlar permissões, monitorar acessos e gerenciar credenciais tornou-se uma tarefa cada vez mais complexa.
Como Ambientes Cloud Dependem de Non-Human Identities
A computação em nuvem depende fortemente de mecanismos automatizados de autenticação.
Sempre que um serviço acessa um banco de dados, consulta uma API ou interage com outro componente, uma identidade digital está envolvida.
Em ambientes AWS, por exemplo, funções, workloads e aplicações frequentemente utilizam credenciais temporárias para executar tarefas específicas.
Da mesma forma, plataformas Kubernetes utilizam Service Accounts para permitir que pods e aplicações acessem recursos internos.
Além disso, ferramentas de integração contínua, automação e observabilidade dependem de tokens e chaves para funcionar adequadamente.
Como resultado, as Non-Human Identities tornaram-se parte essencial da infraestrutura moderna.
Os Principais Riscos de Segurança Relacionados às Non-Human Identities
À medida que o número dessas identidades aumenta, novos riscos surgem para as organizações.
Credenciais Expostas
Um dos problemas mais comuns envolve o vazamento de credenciais.
API Keys, tokens e secrets frequentemente acabam expostos em repositórios públicos, arquivos de configuração ou sistemas inadequadamente protegidos.
Por consequência, atacantes podem utilizar essas credenciais para obter acesso direto aos ambientes corporativos.
Tokens Sem Rotação
Muitas organizações criam tokens de acesso que permanecem válidos durante longos períodos.
Embora essa prática simplifique a operação, ela aumenta significativamente o risco em caso de comprometimento. Por essa razão, mecanismos de rotação automática devem ser considerados.
Service Accounts com Excesso de Privilégios
Outro problema recorrente envolve permissões excessivas. Assim, em diversas situações, contas de serviço recebem privilégios muito superiores aos necessários para executar suas funções.
Como resultado, um eventual comprometimento pode permitir acesso amplo aos recursos da organização.
Segredos Vazados em Repositórios
O crescimento das práticas DevOps aumentou a quantidade de código compartilhado em plataformas de versionamento. Entretanto, segredos armazenados incorretamente continuam sendo uma das principais causas de exposição de credenciais.
Agentes de IA com Permissões Excessivas
Com a popularização da IA corporativa, agentes inteligentes passaram a acessar sistemas internos, APIs e bases de dados. Assim, caso essas permissões não sejam adequadamente controladas, o comprometimento de um único agente pode representar riscos significativos.
Como Atacantes Exploram Non-Human Identities
Atacantes reconhecem o valor dessas identidades e frequentemente as utilizam como ponto inicial para comprometer ambientes corporativos. Portanto, uma das técnicas mais comuns envolve a busca por credenciais expostas em repositórios públicos.
Além disso, campanhas de phishing e infostealers também podem capturar tokens armazenados em dispositivos comprometidos. Ademais, em outros casos, vulnerabilidades em aplicações permitem a obtenção de secrets utilizados por serviços internos.
Uma vez que essas credenciais são obtidas, os criminosos podem movimentar-se lateralmente pela infraestrutura, acessar informações sensíveis e ampliar seus privilégios.
Por Consequência, uma única identidade comprometida pode servir como porta de entrada para ataques mais complexos.
Impactos das Non-Human Identities para as Empresas
Os impactos associados ao comprometimento dessas identidades podem ser severos.
Vazamento de Dados
Credenciais comprometidas podem fornecer acesso a bases contendo informações estratégicas ou dados de clientes.
Interrupção de Serviços
Serviços automatizados comprometidos podem afetar a disponibilidade de aplicações críticas.
Escalonamento de Privilégios
Identidades com permissões excessivas podem ser utilizadas para ampliar o acesso dentro do ambiente.
Aumento da Superfície de Ataque
Quanto maior o número de identidades sem controle adequado, maior tende a ser a exposição da organização.
Comprometimento de Ambientes Cloud
Em determinados cenários, uma única credencial comprometida pode fornecer acesso a múltiplos recursos em nuvem.
Non-Human Identities e os Requisitos da LGPD
A gestão inadequada dessas identidades também pode gerar impactos regulatórios. Quando uma credencial comprometida permite acesso a informações pessoais, a organização passa a enfrentar riscos relacionados à LGPD.
Além disso, a ausência de rastreabilidade dificulta a identificação da origem de acessos indevidos. Por essa razão, políticas de governança e controle de identidades devem fazer parte das estratégias de conformidade.
Como Avaliar a Segurança de Non-Human Identities
Avaliações periódicas são fundamentais para identificar riscos antes que sejam explorados.
Mapeamento de Identidades
O primeiro passo consiste em identificar todas as identidades não humanas existentes no ambiente.
Revisão de Permissões
Também é importante verificar se os privilégios concedidos permanecem adequados às necessidades operacionais.
Análise de Credenciais
Tokens, secrets e certificados devem ser revisados regularmente para identificar exposições e credenciais obsoletas.
Simulação de Ataques
Cenários controlados ajudam a validar a capacidade de detecção e resposta da organização.
Indicadores de Comprometimento Relacionados às Non-Human Identities
Alguns sinais podem indicar que uma identidade não humana foi comprometida. Entre eles:
- Uso incomum de API Keys;
- Acessos fora do padrão esperado;
- Criação inesperada de credenciais;
- Consultas excessivas a sistemas internos;
- Movimentação lateral entre ambientes;
- Alterações não autorizadas em permissões.
Nesse sentido, o monitoramento contínuo torna-se essencial para identificar atividades suspeitas rapidamente.
Boas Práticas para Reduzir os Riscos das Non-Human Identities
A redução dos riscos exige uma combinação de tecnologia, processos e governança.
Aplicar o Princípio do Menor Privilégio
Cada identidade deve possuir apenas os acessos necessários para executar suas funções.
Implementar Rotação de Credenciais
Tokens e secrets devem ser substituídos periodicamente.
Monitorar Atividades Continuamente
Acompanhamento constante permite identificar comportamentos anômalos antes que se transformem em incidentes.
Segmentar Ambientes
A segmentação reduz a capacidade de movimentação lateral em caso de comprometimento.
Automatizar o Gerenciamento de Segredos
Ferramentas especializadas ajudam a reduzir erros operacionais e exposição de credenciais.
O Futuro das Non-Human Identities
Tudo indica que o número de identidades não humanas continuará crescendo nos próximos anos. A expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e da automação tende a acelerar ainda mais essa tendência.
Além disso, agentes autônomos e integrações avançadas exigirão mecanismos cada vez mais sofisticados de autenticação e autorização.
Dessa forma, organizações que não desenvolverem estratégias específicas para gestão de Non-Human Identities poderão enfrentar desafios significativos relacionados à segurança.
Por Que Empresas Precisam Mapear suas Non-Human Identities
As Non-Human Identities já representam uma parcela significativa dos acessos realizados em ambientes corporativos modernos. Embora sejam essenciais para operações em nuvem, automação e inteligência artificial, seu crescimento também amplia os riscos de segurança.
Por essa razão, organizações precisam adotar uma abordagem contínua para identificar, monitorar e proteger essas identidades.
A Resh auxilia empresas na identificação de vulnerabilidades e na redução da superfície de ataque por meio de serviços especializados bem como Diagnóstico Cloud AWS, Pentest de API, Pentest IA, Monitoramento de Vulnerabilidades, Simulação de Ataque e operações de Red Team Contínuo. Essas abordagens permitem identificar credenciais expostas, permissões excessivas e falhas de configuração antes que atacantes as utilizem para comprometer ambientes corporativos.
À medida que cloud, automação e inteligência artificial se tornam pilares das operações empresariais, proteger as Non-Human Identities passa a ser uma necessidade estratégica para a segurança dos negócios.
Referências
NIST. Digital Identity Guidelines (SP 800-63). Disponível em: https://www.nist.gov
NIST. Cybersecurity Framework. Disponível em: https://www.nist.gov/cyberframework
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